Ouvi dizer que Tudo que Deixamos Inacabado era aquele romance envolvente narrado em duas linhas de tempo, no passado e no presente, e que o plot twist final era de chocar.
E choquei, menina.
Achei que a história do livro vai pegando ritmo conforme ele se desenrola e, aos poucos, fiquei emocionada como tudo se amarra no final – trazendo finais que se encaixam, mas nem todos da maneira que esperamos.
A escritora, Rebecca Yarros, é famosa por sua série Empyrean (mais conhecido por Quarta Asa), do gênero romantasia. Mas esse é um dos seus romances contemporâneos de volume único.
Sobre o enredo

A história mostra a vida de Georgia Stanton, que precisa retornar para a casa da sua bisavó falecida no Colorado depois de um divórcio complicado.
Lá, ela encontra Noah Harrison, um autor famoso por romances clichês, que foi contratado para terminar o livro da bisavó de Georgia, Scarlett Stanton, uma escritora também famosa. Georgia não aprova essa decisão, mas precisa lidar com Noah e suas escolhas para o rumo do livro.
Conforme Noah e Georgia exploram o manuscrito e as cartas de Scarlett, eles percebem que a história é baseada na própria experiência de amor da bisavó com um piloto na Segunda Guerra Mundial. E é por isso que nunca fora finalizada.
Enquanto Georgia não facilita o andamento do projeto com Noah, eles se veem confrontados com seus próprios medos sobre o amor e relacionamentos.
Georgia, recém divorciada, está determinada a aprender com os erros da bisavó e proteger seu coração, mesmo que isso signifique prejudicar a carreira de Noah e ditar como será o final apropriado para o livro.
Linhas do tempo
No presente

Aos 28 anos, Georgia Stanton tenta reconstruir a vida no Colorado após seu divórcio traumático e público. Afinal, ela é Bisneta de uma lendária escritora e ex-mulher de um diretor de cinema que a traiu.
Na nova cidade, ela precisa lidar com um manuscrito inacabado de sua bisavó, Scarlett Stanton.
Para concluir a obra, o autor best-seller e arrogante Noah Harrison, um grande fã de Scarlett, é contratado.
Georgia não aprova a decisão, não acha que ele seja a melhor escolha. Suas opiniões sobre como os finais felizes acontecem são diferentes.
Por isso, há muita resistência e faíscas entre os dois, desenvolvendo uma dinâmica mais de construção e um pouco lenta inicialmente.
Os capítulos que ocorrem na visão de Noah mostram ele como um cara até paciente, determinado, com decisões realistas. Como hobbie, ele gosta de escalar, e esses detalhes dão contorno para o personagem.
Já os capítulos narrados por Georgia mostram sua estrutura familiar um pouco disfuncional em relação à sua mãe, muita insegurança e dificuldade em confiar nas pessoas. É uma mulher mais solitária e também artista, já que é escultora. Talvez essas características torne o início e seus capítulos mais chatos de acompanhar. Porém o arco dessa personagem tem um bom desenvolvimento.
No passado (anos 1940)

Através de cartas e páginas já escritas do livro, a história se passa na Segunda Guerra Mundial, onde Scarlett viveu um romance intenso, épico e doloroso com o piloto americano Jameson Stanton.
Esse livro nunca fora finalizado, pois retrata a história real desse amor.
O relacionamento dos dois nos cativa desde o início, por isso esses capítulos engajam mais facilmente. O plano de fundo da guerra é comovente, inesperado, inquietante. A forma como os dois se conectam, como estão dispostos a fazer dar certo, é uma pitada de esperança durante um cenário tão duvidoso e imprevisível.
Scarlett é uma mulher inteligente, possui uma irmã muito fiel, apesar de também ter uma relação disfuncional com seus pais. Já Jameson é um piloto muito experiente, mas um estrangeiro na Inglaterra, e sente falta de seu país e sua amada família.
Minha experiência
Peguei Tudo que Deixamos Inacabado para ler, no formato audiolivro, e acredito que foi a primeira história que me envolveu por completo.
Não demorei muito para estar completamente dentro da história. Todo momento que podia estar ouvindo, não pensava duas vezes para dar play.
Gostei de como a alternância entre os capítulos do passado e do presente mantém o ritmo dinâmico e dá mais profundidade para entender porque as duas histórias se conectam tanto além da relação parental.
É uma leitura que emociona. Nem preciso dizer que chorei mesmo. Ela elabora um pouco do luto, da superação. Explora segredos de família e amores marcantes. A tensão temática da história do passado é o que envolve no início do livro, mais do que a história do presente por ser levemente mais monótona, ou até nada misteriosa. É como é.
Vejo que é o retrato de dois amores: o amor romântico e o amor real. Da mesma forma que a proposta de Noah para Georgia, ele quer escrever para ela dois finais, para que escolha. São os dois amores.
O clássico romântico, avassalador, que dribla até mesmo as incertezas de uma guerra. E o amor real, que se constrói, sem altos e baixos, com base na construção da confiança.
Encaro tanto dessa forma, que fiquei bastante comovida com o plot. E satisfeita com o desfecho. O final amarra algumas pontas e dá finais satisfatórios aos personagens.
Sobre a autora

Rebecca Yarros é uma autora estadunidense apaixonada por livros de romance, café e chocolate. Está atualmente no hype com seu livro Quarta Asa, que temos resenha aqui.
Além da série Empyrean em andamento (com 4 volumes já publicados), ela também já escreveu mais de 15 outros títulos!
Avaliação de Tudo que deixamos inacabado
Tudo que Deixamos Inacabado possui uma escrita fluída com personagens cativantes. A brincadeira entre passado e futuro é bem gostosa e dinâmica, mas nada muito revolucionário. Possui um plot que dá um gostinho a mais e relações bem reais, nada improvável.
Lados Positivos
- Escrita envolvente.
- Personagens cativantes.
- Realidades amorosas distintas e aprofundadas.
- Cenas românticas e emocionantes.
Lados Negativos
- Pode ser arrastado no início.
- Você pode gostar mais só da metade do enredo (Scarlett e Jameson).







