A trilogia Emily Wilde chega ao fim em Emily Wilde’s Compendium of Lost Tales, de Heather Fawcett, ainda sem previsão de lançamento no Brasil.
Os tons de fantasia aconchegante existentes no primeiro e segundo livro ficam em segundo plano para narrar a perigosa (e altamente acadêmica) aventura de Emily e Wendell conforme o casal de noivos explora o reino de Wendell, com o objetivo de salvá-lo da terrível praga que está se espalhando pela terra.
A resenha conterá spoilers dos livros anteriores! Então se você ainda não conhece a trilogia, comece lendo minha resenha de Enciclopédia de Fadas de Emily Wilde.
Sobre Emily Wilde’s Compendium of Lost Tales

Realizando um sonho, Emily finalmente tem a chance histórica de explorar o reino de Wendell, considerado por muitos driadologistas o mais misterioso e perigoso dos inúmeros reinos das fadas.
Não apenas isso: após derrotar a madrasta de Wendell no livro anterior, Emily terá a chance de fazer isso como a nova rainha, um papel que (talvez, apenas talvez) a aterrorize mais do que qualquer fada monstruosa que ela já enfrentou.
E como se suas novas responsabilidades reais não fossem suficientes, uma praga mágica está se espalhando pela terra. Uma maldição que só pode ter sido lançada pela madrasta de Wendell que, embora derrotada, ainda se esconde em algum lugar do reino.
Pior do que isso: trata-se de uma maldição que, todos acreditam, só vai acabar com a morte de Wendell.
Apenas Emily, com seus vastos conhecimentos de contos e lendas, pode encontrar uma solução para salvar Wendell e seu novo (e tão estranho) lar.
“- Apenas deixe-as em paz e você não terá nada com o que se preocupar. Não dê a elas nenhuma razão para se ofender.
– Como posso evitar ofender uma árvore?”
Sobre os personagens
Retornando às raízes do primeiro livro, este é muito focado em Emily e Wendell, bem como sua dinâmica como casal e como novos governantes.

Não fossem os desafios mais comuns de administrar um reino, a terra de Wendell tem seus próprios desafios, visto que fadas, especialmente fadas nobres, são muito diferentes de humanos.
Elas são mais cruéis, manipuladoras e sinistras, com planos próprios que até Wendell, um príncipe fada, tem dificuldade de prever. As próprias terras são perigosas e imprevisíveis, com a geografia em constante transformação e, claro, as árvores carnívoras.
Todo esse mundo novo apavora Emily tanto a fascina, embora não a apavore mais do que a ideia de ser rainha.
Os desafios de ser acessível e sociável (o que ela nunca foi nem entre humanos) enquanto navega as nuances distorcidas da política do mundo das fadas deixa Emily mais incerta do que a crescente pressão de encontrar a madrasta de Wendell e destruir a praga mágica.
A praticidade e o pragmatismo de Emily voltam com tudo neste último livro, pois apenas o seu brilhante cérebro e incomparável conhecimento sobre mitos e lendas pode salvar o reino da praga mágica que se espalha cada dia mais.
Para mim, ela está ainda mais divertida neste livro, com sua luta diária para se encaixar no mundo das fadas e sua constante dúvida entre ir mais a fundo no mistério da praga ou parar, só por uns minutinhos, para entrevistar cada fada fascinante que cruza seu caminho.
Wendell também está com charme amplificado! Finalmente de volta em seu reino depois de mais de uma década, Wendell está em seu elemento, e com todas as regalias de um príncipe que ele tanto sentia falta.
Como humano, Wendell era encantador, mas preguiçoso e excêntrico. Como fada, ele é talvez uma das criaturas menos estranhas para Emily, e ainda assim imprevisível, caprichoso e muito, mas muito mais poderoso do que ela poderia imaginar.
Ele consegue transformar as terras com um movimento do braço, derrotar os mais poderosos guerreiros em segundos, e realizar magias inimagináveis sem perder uma gota de suor. E ele faz tudo isso como se não fosse nada, o que enlouquece Emily.
Mas, mesmo com todo esse poder, ele não consegue conter a praga mágica. Os mitos de que a praga só será solucionada com a sua morte também não o assustam: ele sabe que Emily vai encontrar um jeito e salvar a todos (especialmente ele) mais cedo ou mais tarde.
“ – Se eu lhe der o livro de histórias certo, você é capaz de qualquer coisa.”
O elenco de secundários é maior do que nos livros anteriores, porém todos têm participações menores também.
O meu favorito foi, sem dúvida, Lorde Taran, tio de Wendell e leal guardião do trono. Embora seja casado com um humano, ele não deixa de ser sinistro, inquietante e sanguinário, sempre ansioso por decapitar inimigos a mando de seu monarca. Além disso, ele despreza Emily, pois a acha muito fraca e incapaz de reinar ao lado de Wendell.
Isso adiciona um conflito interno muito interessante para Emily, que oscila entre discordar de Taran e acreditar em suas palavras.
Taran possui outro lado mais amoroso e compreensivo, porém, que ele mostra apenas ao seu amado: Callum Thomas, um humano de aparência jovem, mas idade indefinida, visto que o tempo passa de forma muito diferente no mundo das fadas, e é difícil saber há quanto tempo Callum já está lá.
Callum já havia feito uma aparição anterior em Emily Wilde’s Map of the Otherlands, onde ele ajudou Emily a sobreviver dentro do castelo da família real, que ainda estava sob controle da madrasta de Wendell.
Agora, embora ainda seja um personagem de poucas aparições, a dinâmica dele com Taran é engraçada, mas também fofa, visto que eles são extremamente devotados um ao outro.
O professor Ferris Rose e Ariadne retornam de Map of the Otherlands para ajudar Emily em suas pesquisas. Juntos, eles reviram bibliotecas para buscar por histórias que sirvam de referência para se livrar da praga mágica — ou melhor, uma referência que não diga que a morte de Wendell seja a solução.
“- Aprendi que existe uma coisa da qual uma pessoa nunca se cansa, não importa quanto tempo viva. E essa coisa é estar apaixonado. Todo o resto é cinzas e brasas.”
Minha opinião do livro

Ainda que compartilhe de semelhanças com as outras duas histórias (nominalmente, a existência de um problema versus o vasto conhecimento de Emily sobre fadas), Compendium of Last Tales é um pouco diferente de seus antecessores.
Embora nas aventuras anteriores Emily tenha contado muito com mitos e lendas, no terceiro livro as histórias se tornam quase um terceiro protagonista, de tão relevantes que elas se tornam.
Achei muito divertido o fato de que as dicas para solucionar o enigma da maldição da antiga rainha estão todos presentes já bem cedo na trama. É possível resolver a charada bem cedo, se você prestar bastante atenção (eu não prestei, mas talvez você seja um leitor mais atento que eu)!
Essa história em particular também é um prato cheio em informações sobre o reino de Wendell, que é um dos mundos das fadas mais interessantes (e é o mais aprofundado, sem dúvida) abordados pelos diários de Emily.
Acho muito instigante como ele consegue ser mais violento e, ainda assim, colorido e belo mesmo se comparado aos mundos mais sanguinários de fadas.
Apesar de ter gostado mais deste livro do que o segundo, o primeiro ainda é o melhor de longe.
Com as tramas reais acontecendo de fundo, muitas vezes Wendell e Emily não compartilhavam cenas, e assim eu sentia muita falta da dinâmica deles, que segue sendo um dos meus aspectos favoritos da trilogia. E, às vezes, sentia que o protagonismo era a única coisa mantendo Emily viva, o que fazia com que os perigos fossem um pouco forçados.
Ainda assim, Emily Wilde’s Compedium of Lost Tales é um encerramento digno para as aventuras de Emily, cheio de coração, ironia, sarcasmo, e um dos romances mais fofos que encontrei nos meus últimos anos literários. A história vai deixar saudades!
“- E que tipo de rainha eu seria?
Ele parecia completamente sincero enquanto se inclinava para beijar minha bochecha.
Minha.”
Sinopse
Título: Emily Wilde’s Compedium of Lost Tales
Autora: Heather Fawcett
Editora: Del Rey Books
Lançamento original: 2025
Sinopse: “Emily Wilde dedicou sua vida ao estudo das fadas. Renomada dridóloga, ela documentou centenas de espécies de Seres em sua Enciclopédia das Fadas. Agora, está prestes a embarcar em seu projeto acadêmico mais perigoso: estudar o funcionamento interno de um reino feérico — como sua rainha.
Junto com seu antigo rival acadêmico — agora noivo — o charmoso e volúvel Wendell Bambleby, Emily é imediatamente lançada nas intrigas mortais do mundo das fadas, enquanto os dois disputam o trono do reino há muito perdido de Wendell, que Emily descobre ser um belo pesadelo repleto de tesouros acadêmicos.
Emily sempre foi obcecada por histórias de fadas, mas a princípio se sente tão deslocada no mundo das fadas quanto se sentia no mundo mortal: como uma acadêmica discreta como ela pode se passar por rainha? Mas não há tempo para se adaptar, pois a madrasta assassina de Wendell lançou uma maldição mortal sobre a terra antes de desaparecer sem deixar rastros. Será preciso toda a magia de Wendell — e o conhecimento de histórias de Emily — para desvendar o mistério antes que eles percam tudo o que lhes é caro.”
Avaliação de Emily Wilde’s Compendium of Lost Tales
Lados Positivos
- Emily segue cativando de sua maneira única, e se tornou uma de minhas protagonistas favoritas;
- Enigma interessante;
- O reino de Wendell é aterrorizante e fascinante em igual medida!
- Emily e Wendell são um amor, como sempre;
- Os melhores personagens secundários da trilogia.
Lados Negativos
- Emily sobrevive a perigos que forçam a suspensão de descrença;
- Ritmo inconstante.







