The Office of Useless Superpowers é um livro de fantasia urbana/super-heróis, bem como uma comédia extremamente britânica e uma investigação criminal.
Ele foi escrito e autopublicado em inglês por Victoria Axon, com previsão de lançamento físico e digital no dia 2 de março de 2026.
Eu tive o privilégio de conhecer essa história mágica meses antes de sua publicação, como uma beta reader para Victoria, e me encantei desde o princípio com o mundo rico e divertido que ela criou!
Sobre The Office of Useless Superpowers

Em um mundo onde superpoderes já se tornaram relativamente comuns, Sally é uma burocrata pública que trabalha na pior e menos popular das áreas: o (assim apelidado) Escritório de Superpoderes Inúteis (na verdade, Incomuns), a equipe (de duas pessoas, mas ei, ainda é uma equipe!) focada em auxílio psicológico e trabalhista para pessoas com poderes fracos, menores ou quase irrelevantes.
Tudo muda para Sally, porém, quando o seu chefe anuncia que seu escritório será fechado. Pior do que isso, parece que usuários de poderes fracos estão começando a desaparecer, e ninguém — exceto Sally — parece se importar com isso.
Caberá a Sally, então, achar uma forma de salvar tanto seu emprego, quanto os (nem tão) superpoderosos.
“Sally estava recém terminando de ler um artigo preocupante questionando se o Departamento de Humanos Aprimorados estava gerando lucro quando o trem começou a se mover. Para cima.”
The Office of Useless Superpowers
Sobre os personagens
O Escritório de Superpoderes Inúteis tem um dos elencos mais fofos e charmosos que tive o prazer de ler recentemente!
Primeiramente, temos Sally, a chefe do departamento de Superpoderes Incomuns, e a ansiedade em pessoa.
Obcecada por organização e por ordem, cada decisão que ela toma tem que ser extremamente calculada, e quanto menos ela afetar sua rotina, melhor.
Sally já foi ambiciosa, com um relacionamento invejável com um super-herói de alto escalão, e era uma das melhores agentes de super-herói poderosos. Mas, por motivos que ainda vamos descobrir, ela deixou tudo isso para trás.
A assistente de Sally (e minha personagem favorita), é Beryl, seu completo oposto. Uma mulher de meia-idade cheia de energia, fofoqueira, tagarela e incapaz de esconder o que sente — não apenas por ser expressiva, mas também porque o seu cabelo muda de cor a cada pequena variação de humor!
Beryl raramente chega na hora no trabalho, mas conhece todos os clientes por nome e sempre busca o melhor para Sally.
Ela é um amor, e me lembra as minhas tias: metida, mas bem-intencionada.
“Sally abriu a boca para protestar mais, mas as pontas do cabelo de Beryl estavam se tornando um impaciente tom de laranja, e ela sabia que esta era uma das cores a se evitar. Ela engoliu em seco.”
Temos Finn, o simpático tatuador que trabalha no andar abaixo do escritório. Portador de um poder inútil próprio, ele mostra interesse em Sally e rapidamente se vê envolvido no mistério dos (nem tão) poderosos desaparecidos.
Outro personagem secundário que gosto muito é o Sr. Psíquico, um superpoderoso capaz de ler mentes, e ex-namorado de Sally — não, ela não quer falar sobre o término, obrigada!
O envolvimento do Sr. Psíquico, um super-herói real e intrinsicamente relacionado ao passado de Sally, dá uma intensidade mais intimista à trama, bem como cria um mistério menor, mas igualmente interessante: qual é o passado de Sally, e por que ela é tão solitária?
Sobre a trama
O livro apresenta uma mistura satisfatória e refrescante de gêneros que não se vê com frequência: comédia (extremamente britânica!), fantasia urbana, super-heróis e suspense/mistério investigativo.
Sally está longe de ser uma detetive, ou alguém com qualquer remota experiência com investigações criminais, mas ela é tudo que os não-poderosos tem.
E, se deixar a questão ética e óbvia de fazer a coisa certa, ela certamente perderá o emprego se não fizer algo, e ela precisa desse emprego!
Do contrário, como poderá dar a volta por cima e retornar para o Escritório de Humanos Aprimorados, seu antigo cargo de sucesso, e esfregar sua vitória na cara de Don, o seu rival desprezível?
The Office of Useless Superpowers aborda temas reais como preconceito, luto e trauma com um equilíbrio perfeito de seriedade e bom-humor, que de maneira alguma diminui o impacto de sua mensagem. A autora Victoria balanceia as duas facetas da história com muita maestria e leveza.
A trama nunca realmente para. Mesmo em momentos de reflexão do passado ou enquanto está se remoendo em seu escritório obsessivamente limpo, sempre tem algo acontecendo na vida de Sally, o que torna o ritmo fácil e fluido.
“O que ela ia fazer sobre os desaparecimentos?”
Recomendo essa história particularmente para fãs do humor de Monty Python, os livros de Terry Pratchett e Douglas Adams ou, no mundo dos jogos, para pessoas que gostaram de Dispatch.

Sobre a autora Victoria Axon

Tive o prazer de conhecer Victoria Axon ao ser selecionada ao acaso para ser sua beta reader (um leitor para versões iniciais de um livro ainda não publicado) em um fórum online. Imediatamente me conectei com sua história e seus personagens, mas, mais ainda, com ela mesma.
Victoria era uma figura carismática, animada e cheia de energia, ansiosa por ver seu livro ser lançado, para que cada vez mais pessoas conhecessem o Escritório de Poderes Inúteis, Sally e o resto de seu mundo fantasioso e, ainda assim, tão real.
Infelizmente, Victoria faleceu em fevereiro de 2026, poucas semanas antes do lançamento de seu livro.
Ela não queria que a minha crítica fosse um memorial, mas sim um post sobre as maneiras como o livro me impactou. Ela queria um review que falasse o que realmente sinto sobre a história, e que isso incitasse mais e mais pessoas a conhecê-la.
É isso, então, que ele será.
Com isso, termino minha apresentação a The Office of Useless Superpowers. Uma diversão leve e sem fim, de uma adorável amiga.
Avaliação de The Office of Useless Superpowers
Lados Positivos
- Sally é uma protagonista não convencional, o que a torna muito divertida e original;
- A mistura de gêneros (comédia, super-herói, suspense etc.) cria uma trama difícil de prever e que nunca deixa de entreter;
- Elenco de personagens secundários memoráveis;
- Resolução perfeita para a proposta da história.







