O Poder do Hábito não é um livro de autoajuda, apesar de parecer. É um livro com histórias reais e relatos científicos sobre como um hábito é criado e como ele pode ser benéfico, ou não, para nós.

Com essas histórias, o autor consegue nos mostrar as diversas possibilidades e complexidades que um simples hábito pode nos criar, além de mostrar como sair ou entrar em um novo ciclo automático.

Uma leitura lenta, mas que todos deveriam ter em suas estantes para realmente entender e transformar tanto sua vida como seu trabalho.

O poder do hábito nas nossas vidas

Um hábito é uma escolha ou atividade que nós deliberadamente fazemos em algum momento e que depois acabamos deixando de pensar sobre ele, virando um comportamento automático e que economiza energia do nosso cérebro. 

Para mostrar como os hábitos se criam ou podem ser substituídos, o autor traz histórias sobre pessoas que perderam suas memórias, mas não seu hábitos. Ou  porque alguns alcoólatras conseguem superar o vício e outros não.

Tem também sobre como hábitos podem surgir simplesmente por causa do ambiente e com quem convivemos. Ou culturas organizacionais ruins que causam desastres, como operações médicas em membros errados.

E, o mais impactante, como as empresas podem usar exatamente esse mesmo ciclo de criação de hábito para te fazer comprar e estar conectado cada vez mais. Como a história chocante de uma grande rede de supermercados americana que, depois de entenderem os hábitos de compra de mulheres grávidas, que são mais suscetíveis a compras exageradas, as incentiva a comprar certos produtos. 

Depois de todas essas histórias, o autor nos pergunta: por que alguns hábitos não são condenados, como no caso do marido que matou sua esposa sem saber, e outros são extremamente julgados pela falta de “força de vontade”, como a dona de casa que perdeu todo o seu dinheiro e a fortuna dos pais em cassinos?

Se em ambos os casos a culpa foi do hábito, algo que está enraizado no nosso cérebro, o que os diferencia?

A diferença está na consciência, nesse caso específico, de ter ou não o hábito. Mas de toda forma, nós somos responsáveis pelos nossos hábitos. Alguns são mais difíceis que os outros, mas todos podem ser mudados, desde que você olhe para ele.

A criação do hábito

Loop do hábito: como os hábitos são formados

O autor deixa bem claro em toda leitura que não existe uma receita de bolo para alterar um hábito rapidamente. Cada pessoa possui um padrão específico, e cada hábito um ciclo diferente. Cada um terá que entender o que funciona ou não.

Mudanças nunca são fáceis. Mas com tempo, você vai ver que vale a pena.

Framework para entender como os hábitos funcionam

O loop do hábito tem 3 itens: a deixa, a rotina e a recompensa:

Identifique a rotina

O primeiro passo para mudar um comportamento é identificar a rotina. A rotina mais óbvia, no caso de alguém que come um chocolate toda tarde, seria: 

  1. levanta da sua mesa a tarde
  2. vai até a loja
  3. compra um chocolate e come conversando com seus amigos

Identifique a deixa:

A segunda pergunta que você deve se fazer é a deixa dessa rotina? O que você está sentindo falta naquele momento?

  • fome?
  • vontade de chocolate?
  • conversar com os amigos? 
  • tédio?
  • falta de açúcar no sangue?
  • uma pausa no trabalho?

Identifique a recompensa:

O que você realmente ganha ao comer aquele chocolatinho?

  • uma parada na rotina
  • a mudança de cenário?
  • socialização?
  • uma energia vinda do açúcar?

Para realmente entender qual é a sua recompensa, você precisará fazer experimentações:

Muitas vezes nós não sabemos quais são exatamente as necessidades que estamos saciando com um hábito específico. Por isso é importante experimentar com algumas recompensas diferentes.

Isso pode levar dias, semanas ou meses. Você não deve se culpar ou se pressionar a ter uma resposta rápida.  

No primeiro dia do seu experimento, quando a vontade do doce aparecer, ajuste a sua rotina para que ela dê uma recompensa diferente.

  • no primeiro dia, ao invés de ir na lojinha, dê uma volta no quarteirão e volte para sua mesa. 
  • no dia seguinte, compre outro doce e coma na sua mesa.
  • então, tente um café.
  • ou então só saia para conversar com seus amigos e familiares e depois volte.

O que você escolhe fazer no lugar do chocolatinho não é importante, o importante é testar diferentes teses para o seu hábito e entender qual é a necessidade que você está querendo saciar.

Entendendo os padrões

Depois de testar 5 dias seguidos, toda vez que você sentir a vontade escreva em um papel as 3 primeiras coisas que vem a sua cabeça quando você volta para a sua mesa. Podem ser emoções, coisas aleatórias ou palavras.

Espere 15 minutos e se pergunte: você ainda tem vontade do chocolatinho?

Isso te força a ter consciência do que você está pensando ou sentindo, um momento de atenção. Se depois de 15 minutos você ainda tiver vontade de ir atrás do lanchinho, então a recompensa não é aquilo que você acabou de testar.

Isole a deixa

A deixa é o que se repete toda vez que o anseio de um hábito começa. Existem 5 categorias que normalmente se repetem:

  • localização
  • um horário específico
  • estado emocional
  • outras pessoas
  • uma ação realizada imediatamente antes. 

Pode ser que você tenha vontade de comer algo às 16h. Ou toda vez que você está triste, você vai para internet comprar alguma coisa. Inúmeros exemplos que já conhecemos.

Toda vez que o anseio aparecer, escreva qual a sua localização, o horário, o estado emocional, etc. Assim você irá entender onde está o padrão da sua deixa.

Tenha um plano

Assim que você entender o ciclo do seu hábito, agora você precisa começar a mudar o seu comportamento. Você irá precisar planejar para a sua deixa, e alterar um comportamento que irá te dar a recompensa que você anseia. 

A forma de quebrar o ciclo é começar “des-automatizar” o seu comportamento fazendo escolhas. O seu plano são intenções implementadas. 

Opinião de O Poder do Hábito

Livro O Poder do Hábito

É sempre mais difícil fazer uma resenha de livro de não-ficção. Mas vou colocar alguns pontos que me chamaram atenção:

Escrita: o livro pode ser extremamente repetitivo em alguns pontos. Pela forma como Charles Duhigg resolveu estruturar o seu livro, contando histórias positivas e negativas sobre criação de hábitos, alguns trechos repetem a mesma informação: deixa, recompensa, rotina.

Os componentes da criação de um hábito são os mesmos, então o autor repete isso diversas e diversas vezes.

Conteúdo: o conteúdo traz vários casos extremos de formação de hábito com respaldos científicos. Apesar de as histórias ficarem pessoais demais, no último capítulo é que você finalmente entende onde o autor queria chegar.

Opinião final: O Poder do Hábito explora as mais comuns formas de criação de hábito, seja ele bom ou ruim, em histórias reais. A narrativa monótona e extremamente repetitiva me fez demorar demais para terminar o livro, e por isso leva um ponto negativo.

No fim, quando o autor amarrou todas as pontas é que eu entendi e apreciei seu conteúdo. Todas aquelas histórias me fizeram realmente entender o poder que hábitos têm na nossa vida.

O que fica é que é possível mudar. É possível reverter hábitos. Não vai ser fácil e nem tem uma resposta única, mas você pode experimentar até encontrar o que funciona para você.

Gostei de entender e colocar todos os meus hábitos de perto. Definitivamente recomendo para todos a leitura.

Deixe um comentário