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    Opinião: Melhor do que nos filmes, de Lynn Painter

    Uma comédia romântica fofa, que usa todos os clichês dos anos 2000, mas que ainda consegue surpreender até o fim!
    Ana SteinbachPor Ana Steinbach15 de março de 2026Atualizado:15 de março de 20269 Min de leitura
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    Fazia muito tempo que eu não tinha insônia com um livro. Sou daquelas que, toda vez que deita, lê uma ou duas páginas — e pá! dorme.

    Mas eis que sou surpreendida positivamente por Melhor do que nos filmes!

    O livro é uma comédia romântica perfeita, muito gostosa de ler e cheia dos altos e baixos da protagonista (sim, ela sonha com o baile, tenta mudar pelo boy, briga com a melhor amiga e acaba se envolvendo com quem menos esperava!).

    E não é só a minha opinião: Melhor do que nos filmes, livro de Lynn Painter, é a obra que os leitores brasileiros mais colocaram na sua lista de favoritos em 2025.

    Quem adora romance precisa ler esse livro!

    (Outros livros que me fizeram virar a noite foram O Nome do Vento, Um gato de rua chamado Bob e Como eu era antes de você.)

    A história de Melhor do que nos filmes

    Imagine que você é louca por comédias românticas dos anos 2000. Adora vestidos fofos. Adora discos de vinil e tocar piano.

    Essa é Liz, nossa protagonista. E tudo que ela quer é viver um romance como nos filmes.

    Cena de Julia Roberts em Um lugar chamado Notting Hill
    A mocinha do filme Um lugar chamado Notting Hill

    Liz também carrega uma dor: ela sofre pela perda de sua mãe, que era roteirista de filmes de comédia romântica e a ensinou a amar todo esse universo.

    Por morar na mesma casa desde sempre, Liz tem muitos amigos de infância por perto. Um deles é sua melhor amiga, Joss, e o outro é seu vizinho chato, Wes.

    Wes é um porre. É aquele menino que vive criando encrenca, quebrando suas coisas ou fazendo algo para incomodá-la. Neste último ano de escola, os dois vivem brigando para poder estacionar na “Vaga”, um lugar que fica em frente à casa deles.

    Liz detesta Wes e o vê como o típico bad boy — aquele de quem você não deve se aproximar, nunca!

    “Amigos de rua são assim. Crescemos juntos, correndo em calçadas quentes e gritando um com o outro (…), mas, quando ficamos mais velhos, nos tornamos apenas conhecidos, com um nível superficial do que sabemos um do outro. Eu sabia que ele estacionava como um idiota, praticava esportes – beisebol, talvez? – e estava sempre rindo alto quando eu o via na escola. Tenho certeza que ele sabia ainda menos sobre mim.”

    Depois de mais um dia de provocações envolvendo a “Vaga”, Liz recebe uma ótimo notícia: seu outro vizinho, o menino perfeito que ela amava tanto quando pequena, voltou para a cidade e está estudando na sua escola!

    cena do filme o diário de bridget jones
    Cartaz do filme O Diário de Bridget Jones

    Lindo, loiro, educado e gentil, Liz simplesmente adora Michael. E ela quer muuuuito que ele a convide para o baile, mesmo sabendo que ele aparentemente já estava de papo com Laney, uma colega de sala tão perfeita que chega a ser irritante.

    Como Wes também é amigo de Michael, Liz resolve criar um plano para que Michael goste dela e a convide para o baile, exatamente como nos filmes.

    O prêmio por ajudá-la?

    A Vaga Eterna.

    E Wes, claro, aceita participar.

    “Você fica mais bonita quando é você mesma.”

    Resenha de Melhor do que nos filmes

    Contracapa do livro Melhor do que nos filmes

    Gente, esse livro é tão fofo! Eu, que não sou exatamente uma leitora de romances, simplesmente adorei.

    Apesar de brincar com vários clichês, as cenas são muito emocionantes. Eu achei que seria tudo muito previsível, mas a história foi me surpreendendo do seu próprio jeito. No final, eu imaginava que aconteceria uma coisa, mas o baile foi completamente diferente do que eu esperava — e isso também me fez devorar as páginas.

    Falando em páginas, são 352, o que pode parecer um pouco grande para esse gênero, mas fique tranquila! O livro é recheado de diálogos e é bem rapidinho de ler.

    “Às vezes ficamos tão presos às nossas ideias a respeito do que achamos que queremos, que acabamos perdendo as coisas maravilhosas que podemos ter de verdade.”

    Melhor do que nos filmes

    Esse livro também me fez refletir sobre o poder das comédias românticas dos anos 2000. Esses filmes nos deram uma visão um pouco inviável do interesse romântico, e não dá para ter expectativas que a nossa vida vai ser mesmo como nos filmes.

    Durante a história, Lyn comenta que, apesar de inicialmente parecer que seus dates eram dignos de um roteiro de romance, eles perdiam a “faísca” em pouco tempo.

    Algumas histórias só são realmente dignas de filme quando a gente sente algo de verdade, e não apenas porque alguém fez um gesto bonito no momento certo.

    Tenho convicção de que algumas cenas que lembrei da época da escola, se alguém tivesse filmado, provavelmente não virariam filme nenhum.

    Mas na minha cabeça… nossa.

    Dariam, no mínimo, um bom episódio.

    E talvez com trilha sonora dramática.

    Tinha um garoto que, olhando agora, tinha todos os sinais clássicos de um garoto problema, daqueles que a gente ama ler sobre (e deve ignorar fortemente na vida real).

    Ele era bonito, tocava em uma banda, usava boné e tinha aquele ar meio bad boy despreocupado.

    (Sim, sim… podia ser mais clichê que isso? Mas eu juro que não estou inventando.)

    Tivemos idas e vindas durante muitos anos, sempre com cenas românticas seguidas de brigas e mal entendidos.

    Meio a vibe de Um dia, só que com muito mais drama adolescente e muito menos maturidade emocional.

    Capa do livro Um Dia

    A coisa começou mais ou menos assim:

    Nos conhecemos em um evento alguns anos atrás, mas isso não vem muito ao caso. Ele era amigo de um amigo meu e, um tempo depois, passamos a estudar na mesma escola.

    Ele era mais velho do que eu, então a gente se esbarrava às vezes pelo pátio, mas só conversávamos mesmo pelo MSN.

    (MSN!! Acho que não preciso nem dizer minha idade.) 

    Toda vez que eu estava no computador e aparecia aquela notificação dizendo que ele tinha ficado online, meu coração disparava.

    Assim começava um dos grandes dilemas da vida de solteiro:

    1. “Será que eu falo com ele agora ou será que tento parecer legal e espero alguns minutos?“
    2. “Ih, será que é melhor eu esperar ele vir falar comigo?”

    Em um determinado ponto, entre escolhas diferentes das opções acima, fiquei com a impressão de que a gente tinha um interesse mútuo.

    Não queria criar muitas expectativas, até porque ele era meio popular e não fazia sentido gostar de mim…

    (Adolescência também é basicamente um curso intensivo de paranoia emocional.)

    Mas o sinal ficou muito forte quando combinamos de nos encontrar em uma festa.

    No dito dia, fiquei ansiosa pelo encontro e cheguei super cedo. Enquanto esperava, dancei com minhas amigas e me diverti, tentando transparecer tranquilidade…

    Nelly Furtado tocava muito na festa. Zero saudades da calça jeans cintura baixa com cinto de fivela grande e barriga de fora.

    Mas conferi a entrada do salão vezes demais para alguém que definitivamente não estava criando expectativas.

    Algum tempo depois, um boooom tempo depois, ele chegou.

    (Pelo menos na minha cabeça foram horas de atraso, mas não tenho ninguém para confirmar se era paranóia minha ou não risos)

    Ele parecia a pessoa mais tranquila da vida, com seu boné, jeans e camiseta, como quem claramente não tinha passado as últimas duas horas imaginando todos os cenários possíveis daquele encontro.

    E — detalhe importante — não veio falar comigo. Nem olhou para mim.

    Passei os minutos seguintes analisando a situação com a serenidade típica de uma garota emocionalmente equilibrada.

    Ou seja, pensando coisas como:

    • “Será que ele me viu e me ignorou?
    • Será que eu entendi tudo errado?
    • Será que ele na verdade está com outra pessoa?”

    Assim, eu esperei.

    Esperei mais um pouco.

    E quando comecei a achar que tudo tinha sido um delírio da minha cabeça, resolvi sentar em uma das cadeiras, completamente emburrada.

    Foi então que ele apareceu na minha frente.

    Não disse nada de imediato. Só chegou perto, em pé, e pegou minha mão. Assim. Como se fosse a coisa mais natural do mundo.

    Eu fiquei ali, sem reação, em choque, percebendo que aquela era a primeira vez que a gente se tocava de verdade.

    Logo na sequência, perguntou:

    — Vamos conversar lá fora? 

    Eu disse não.
    Depois de 10 segundos, eu disse sim.

    (Aparentemente, meu ego ainda não estava tão judiado assim.)

    Ainda de mãos dadas, fomos para fora do salão. Tive a leve impressão de que metade da festa estava acompanhando o que estava acontecendo.

    Encostei em uma parede do lado de fora sem prestar muita atenção. Ainda estava com a cara fechada, já que eu, claramente, precisava me fazer de difícil.

    Como eu não tinha filtro nenhum naquela época, falei logo:

    — Achei que você estava me ignorando.

    Ele respondeu meio sério, meio rindo:

    — É claro que eu te vi. Você parecia… ocupada, sempre rodeada de amigos. Eu não ia chegar do nada no meio deles.

    Fazia sentido, droga.

    E então ele disse alguma coisa — não lembro o quê — que me fez rir. Definitivamente um golpe baixo. Qualquer intenção que eu tinha de continuar brava acabou ali.

    Continuamos conversando e, em um determinado momento da conversa, ele virou a aba do boné para trás e apoiou o braço na parede ao meu lado.

    Nesse momento, tudo em mim ficou em alerta.

    Ah, eu sabia o que aquilo significava.

    E, aparentemente, todo mundo na festa também.

    Ouvimos gritinhos de “AAAAAAAH!” vindo de dentro do salão.

    Foi quando percebi que estávamos encostados bem ao lado de uma janela. Ou seja: o nosso papo estava sendo monitorado por TODO mundo.

    Rimos, sabendo que o momento havia sido meio perdido, e fomos mais para o outro lado da parede.

    Ele continuou a conversa como se nada tivesse acontecido. E achei mesmo que nada mais iria acontecer, que eu — e o povo todo da festa — havíamos entendido errado o significado do boné.

    Foi quando um pequeno silêncio se formou entre nós que ele, enfim, aproveitou, se aproximou de mim… E me deu um beijo.

    Um daqueles que fazem tudo ao nosso redor evaporar.

    Por um momento, achei que esse seria o começo da nossa história, e que um dia ele seria meu namorado.

    Em Melhor do que nos filmes, a Liz passa boa parte do livro acreditando que certos momentos só acontecem quando a história é para ser. Naquela noite, eu pensei exatamente a mesma coisa. O atraso, o desencontro, o beijo encostado na parede.

    Saí daquela festa convencida de que aquilo significava alguma coisa.

    Mas tivemos alguns desencontros depois. Passados alguns meses, esse mesmo garoto me fez perder um compromisso do jeito mais fofo possível.

    Mas isso é outra história. Talvez eu conte um pouco mais dela no futuro.

    E você, qual a sua história de romance?

    Avaliação de Melhor do que nos filmes

    90%
    90%
    Ótimo
    Lados positivos
    1. Leitura rápida
    2. Referências aos filmes de comédia romântica
    3. Casal fofo
    Lados negativos
    1. Bem, é o livro clichê rs.
    • Avaliações dos usuários (0 Votos)
      0
    Comédia Romântica Lynn Painter Young Adult
    Ana Steinbach
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    Ana Steinbach é a editora-chefe e idealizadora do Amor por Livros. Pós-graduada em Design Gráfico, ela trabalha com marketing, design e análise de dados, combinando essas habilidades com sua paixão por livros para criar conteúdos. Ana leu mais de 300 livros e tem mais de 7 anos de experiência resenhando livros e acompanhando o mercado literário. Além de livros, ela também é apaixonada por mangás, jogos e séries.

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