As Crônicas de Nárnia, um dos livros de C. S. Lewis, é um grande sucesso e é como a maioria de nós conheceu o autor.

Mas o que nem todo mundo conhecem é a como a história do próprio C.S. Lewis deu vida a suas diversas obras. Afinal, ele era um professor, crítico, escritor e também ateu que retornou ao cristianismo após adulto.

Conheça as histórias por trás dos livros, a amizade entre grandes escritores que originou 2 dos nossos universos favoritos e a influência que tiveram na infância de diversos autores da nossa época.

A história de vida de C.S. Lewis

Clive Staples Lewis nasceu em 1898, na Irlanda, em meio aos livros da biblioteca da sua família. Ele foi uma criança criativa e sonhadora, se envolvendo profundamente nesse mundo alternativo ao perder sua mãe para o câncer ainda muito novo.

Desde pequeno, ele adorava também animais antropomórficos e era um verdadeiro fã das obras de Beatrix Potter (The Tale of Peter Rabbit).

Ilustração do livro The Tale of Peter Rabbit

Depois de adulto, Lewis foi para a faculdade em Oxford (Inglaterra), mas teve que parar os estudos para servir na Primeira Guerra Mundial

Depois que retornou, já aos 20, ele se formou em diversas áreas, mas se tornou mais conhecido por teologia e literatura medieval (o combo que criou As Crônicas de Nárnia).

Nessa época, Lewis já era ateu há algum tempo. Em uma das suas cartas, ele culpou o horror da guerra, sua infelicidade na escola e a perda da sua mãe pelo seu pessimismo e ateísmo.

Mas nem por isso ele deixou de estudar sobre a espiritualidade. Lewis cultivou uma grande curiosidade sobre diferentes mitologias, como nórdica e grega, e continuou estudando-as após adulto.

Ele só retornou a ser religioso com 33 anos, quando passou a frequentar a igreja anglicana.

Com 41 anos, Lewis se casou com Joy Davidman em um acordo entre amigos para que a escritora americana pudesse viver no país com seus dois filhos

Foto de Joy Davidman e C.S. Lewis

Alguns anos depois, Joy foi diagnosticada com câncer terminal. Esse foi o momento que Lewis de fato se aproximou da esposa, inclusive realizando o casamento religioso no próprio hospital.

Quatro anos depois da junção matrimonial, Davidman faleceu. Perder o amor da sua vida foi um dos momentos de luto mais duros para o autor. Em sua obra A Anatomia de uma Dor, Lewis fala sobre a perda, seus questionamentos sobre Deus e a dificuldade de manter a fé em momentos como esses.

Após a morte de Joy, Lewis continuou cuidando dos dois filhos dela.

A morte do escritor

Com 63 anos e já viúvo, Lewis começou a sofrer de doença dos rins e, a partir dali, infelizmente a saúde do escritor entrou em declínio.

CS Lewis faleceu com 64 anos após um colapso por sua insuficiência renal, no mesmo dia do assassinato do presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy.

O escritor não deixou filhos biológicos. Um dos seus enteados, Douglas Gresham, foi quem permaneceu com os direitos de suas obras, além de ser um dos maiores defensores de suas histórias.

Em 1998, o escultor Ross Wilson revelou sua estátua de bronze com o nome “The Searcher”, na C.S. Square, em frente ao Holywood Arches Library, Irlanda.

Estátua de C.S. Lewis, na Irlanda

Como C.S. Lewis se converteu

Sua conversão teve influência direta dos seus amigos em Oxford, entre eles o também mundialmente conhecido J. R. R. Tolkien

O autor de O Senhor dos Anéis era cristão católico e ajudou o amigo a repensar sua religião, influenciando muito a vida e as obras de CS Lewis posteriormente.

Apesar de seu pessimismo com o mundo, Lewis retornou para a o cristianismo, na igreja anglicana, com já 33 anos.

A busca pelo seu espiritualismo acabou se transformando em sua primeira obra de ficção, O Regresso do Peregrino, uma alegoria que parte da famosa obra de John Bunyan.

A amizade de C.S. Lewis e J. R. R. Tolkien

A amizade entre os autores começou em Oxford, quando participavam dos mesmos grupos e descobriram seus gostos em comum por mitologia e línguas. Os dois viviam em seus próprios mundos, distantes da tecnologia ou das notícias da época.

Até nas suas opiniões sobre os filmes da Disney eram parecidas. De acordo com o site Galileu, Tolkien e Lewis não gostaram da adaptação de A Branca de Neve e o Sete Anões. Em cartas, Lewis foi bastante crítico sobre a animação no geral, enquanto Tolkien aparentemente não tinha muita empatia pelo próprio Walt Disney.

Os dois estudiosos, além de discutirem sobre diversos assuntos, também encorajavam a escrita de diferentes obras entre eles, trocando os escritos entre si. Suas primeiras obras foram o resultado de uma aposta (cara ou coroa) de quem ficaria com cada tipo de temática. Tolkien ficou com viagem no tempo e Lewis com viagem espacial.

Até um dos personagens originados por essa aposta, Elwin Ranson, o personagem principal da saga que depois ficou conhecida como a “Trilogia Cósmica”, era baseado na personalidade de Tolkien.

Entre essas trocas, inclusive, foi que Tolkien não aprovou a forma como As Crônicas de Nárnia trazia à tona tantos símbolos obviamente cristãos.

De fato as obras de Tolkien também possuem diversos símbolos, mas não tanto quanto as de Lewis. Na Terra Média são usados conceitos de uma forma muito mais profunda, propositalmente escritos assim para que não distraísse o leitor do valor principal da obra.

Além desta diferença na forma de escrita, Lewis, depois de se converter, era protestante, enquanto Tolkien era católico. Uma divergência religiosa que se tornou base de atrito entre eles, ainda mais depois de alguns comentários feitos por C.S. criticando a igreja católica.

A saída de Lewis de Oxford e seu casamento com uma mulher divorciada (algo não tolerado no catolicismo) fez a distância, já grande, fechar um capítulo dessa amizade. 

Escritores influenciados por As Crônicas de Nárnia

Durante sua vida, C.S. Lewis nos deixou um grande tesouro chamado As Crônicas de Nárnia.

Não só o livro é incrível, mas como ele também foi capaz de influenciar diversas outras histórias que nós amamos muito:

  1. Neil Gaiman, que diz que foi um dos livros que marcou a sua infância
  2. Daniel Handler, de Desventuras em série
  3. Eoin Colfer, de Artemis Fowl
  4. J. K. Rowling, de Harry Potter

O autor Phillip Pullman, de A Bússola de Ouro e O Livro das Sombras, apesar de dizer que o livro o influenciou (e que a série era um trabalho de literatura “mais sério” que o “trivial” O Senhor dos Anéis), acusou Lewis de propaganda religiosa, misoginia, racismo e sadismo emocional em seus livros.

Uma baita crítica, não é mesmo? Phillip era conhecidamente ateu, e suas críticas sobre religião também são sentidas em suas obras.

(Mas, na nossa opinião, tanto A Bússola de Ouro quanto As Crônicas de Nárnia possuem histórias ricas e muito emocionantes em suas maneiras.)

As melhores frases de C.S. Lewis

Mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento

Pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho.

Tudo que não é eterno é eternamente inútil.

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