Esqueça heróis nobres, magos sábios e finais felizes: O Poder da Espada apresenta uma fantasia medieval muito mais sombria e sarcástica, onde cada personagem é humano… e falho.
Nesse livro, Joe Abercrombie subverte expectativas e entrega uma história que prende pela crueza, ironia e inteligência com que retrata o poder, a violência e as escolhas morais.
Se você procura uma fantasia mais pé no chão, menos centrada em magia e batalhas épicas – ou só quer sair do lugar-comum do gênero -, O Poder da Espada é um bom candidato à próxima leitura. Ele entrou, sem esforço, pra minha lista de melhores livros do gênero. E aqui vai o porquê.
A trilogia A Primeira Lei (já completa)

Antes de falar sobre o livro em si, é bom lembrar que O Poder da Espada é (sem surpresas pra esse tipo de gênero literário) parte de uma trilogia chamada A Primeira Lei.
Os 3 livros já estão todos disponíveis. Então, não se preocupe: não é parecido com a situação da série A Crônica do Matador do Rei, onde não sabemos até hoje quando vamos ler o último livro.
Isso se você não considerar que há outros livros que se passam nesse mesmo universo que nunca chegaram ao Brasil.
A ordem dos livros da série A Primeira Lei é:
- O Poder da Espada
- Antes da Forca
- O Duelo dos Reis
Recentemente, a editora Aleph adquiriu os direitos dos livros e relançou um box com a trilogia completa. Já está em pré-venda!
Os livros que ainda não foram traduzidos são e outras novidades, como uma possível adaptação, você pode ver no nosso guia completo do autor.
O livro é bom, mas não pela sua história
Enquanto eu falava sobre o que estava gostando no livro com alguém, ouvi a pergunta: “Mas o que acontece nele? O livro é sobre o que?”.
Foi aí que percebi: O Poder da Espada não me pegou pelo enredo – que até o meio do livro parece não ter um propósito específico – mas pelos personagens.

A narrativa acompanha múltiplos pontos de vista, mas com foco em três figuras principais: um guerreiro selvagem do norte, um torturador que já foi torturado e um esgrimista nobre e egocêntrico.
Nenhum deles é o típico herói. Nenhum deles é alguém que você gostaria de ser. Cada um é falho de alguma maneira diferente.
Mas é a forma que Abercrombie vai contando suas histórias é o que é mais interessante.
A princípio, enquanto eu lia, eu não sabia onde esse livro estava me levando. Mas, nesse caso, eu não me importei. E eu sei que é estranho dizer isso.
Aliás… eu nem costumo gostar de livros que possuem mais de um protagonista. Mas, nesse caso, também não me importei. Cada nova perspectiva me fazia querer continuar, entender mais, e ver até onde tudo ia dar.
Um pouco sobre os personagens principais

Logen Nove Dedos, o guerreiro do Norte, é o mais próximo de um herói clássico que o livro oferece. E mesmo assim está longe disso. Violento, marcado por um passado de sangue, ele é um homem tentando fazer o certo em um mundo que não recompensa os bonzinhos.
Não é à toa que o livro começa com a perspectiva dele, durante uma cena de luta contra os cabeça-chatas e sua sobrevivência inesperada.
Em seguida, temos Sand dan Glokta, o torturador da enquisição. Um ex-soldado brilhante, agora quebrado depois de passar anos como prisioneiro de guerra. Seus capítulos são cheios de sarcasmo e amargura. Glokta não tenta esconder suas intenções, mas também não se entrega totalmente à crueldade. Ele está sempre no limite.
É um personagem que a princípio achei que não ia me agradar, mas que tem os melhores comentários sarcásticos. Abercrombie o escreve com uma honestidade desconcertante.

Já Jezal dan Luthar é o típico esnobe. Jovem, bonito, arrogante e superficial. No começo, é fácil odiá-lo (e acredito que é pra isso que ele serve), mas Abercrombie não deixa ele parado nesse lugar. Ao longo do livro, Jezal passa por mudanças reais, e a forma como isso é construído é um outro ponto forte da narrativa.
Jezal não muda completamente, claro. Ele continua mesquinho, mas muda o suficiente para ser crível.
Durante a leitura, outros personagens tem seus próprios pontos de vista, como West, Cachorrão e uma ex-escrava vinda de outro local.
Todas essas tramas começam separadas, mas aos poucos vão se conectando, enquanto um mago excêntrico surge com intenções obscuras, que o leitor ainda não entende totalmente.
Um mundo à beira da guerra, mas sem explicações óbvias

No sentido da construção do seu mundo, Joe Abercrombie bebe da mesma fonte de George R.R. Martin.
O Poder da Espada traz conflitos e personagens muito humanos, com guerras iminentes, criaturas mágicas, capazes de matar outros humanos, e magos poderosos. Estes últimos são capazes de atrocidades e, claramente, estão envolvidos em algo maior e mais perigoso.
Porém esse não é o foco de 90% do livro. Então, apesar de sabermos que no mundo de A Primeira Lei existe magia, que usa o poder “do outro lado”, espíritos e criaturas mágicas, a narrativa do primeiro livro não foca nesse elemento.
Tudo é apenas pano de fundo.
A magia existe, mas não dita o ritmo da história. É como se Abercrombie dissesse: “Sim, o mundo é fantástico, mas os humanos continuam sendo o pior e o melhor que há nele.”
Resenha de O Poder da Espada

O Poder da Espada de fato é um ótimo livro de fantasia medieval. Se você gosta do gênero, só se joga. Talvez não se torne o seu livro favorito, mas irá agradar com toda certeza.
Abercrombie traz uma nova abordagem de como escrever histórias e personagens, misturando anti-heróis, sarcasmo e conflitos. Os diferentes pontos de vista possuem muita personalidade e um pouco daquele humor ácido.
Por que eu digo que talvez não se torne o seu livro favorito ? Bem, há alguns pontos negativos na leitura.
O que me incomodou
Um desses pontos é a personagem Ardee. Ela parece ter sido pensada como uma subversão do arquétipo da dama nobre, mas termina presa a um estereótipo igualmente conhecido: o da mulher ‘bela, mas muito moderna para seu tempo’ que só existe para contrastar com os homens. As leitoras mulheres que leem muita fantasia épica já conhecem esse tropeço. Mas não chega a ser um ponto ruim o suficiente para me fazer desgostar do livro.
Outro ponto é o desfecho, que entra em uma luta descritiva demais, até em comparação aos outros capítulos.
Para quem não gosta de livros com desfechos claros, também já fica o alerta. Assim como o livro começa sem muito propósito claro, ele finaliza com apenas uma nuance do que está para acontecer, deixando diversas pontas soltas, esperando que você leia o próximo livro da trilogia.
Conclusão: uma fantasia sombria que merece ser lida
O Poder da Espada é um livro que tem uma narrativa direta ao ponto, sem ser descritiva demais, mas o suficiente para “pintar a cena”.
As cenas de Glokta, que poderiam facilmente serem as mais pesadas, não são detalhadas, o que para mim foi um alívio em meio a muitos livros que fazem isso apenas para gerar nojo e impacto no leitor.
Com certeza para mim foi uma ótima leitura, que irei trazer mais aqui no Amor por Livros.
Se você já leu O Poder da Espada, concorda com minha opinião? Deixa aqui nos comentários!
Se gosta do gênero, não deixe também de conferir nossa lista de livros de fantasia medieval. Também temos uma outra lista especial com os maiores autores desse tipo de livro.
Avaliação de O Poder da Espada
Uma fantasia medieval sombria e sarcástica, com personagens marcantes e falhas humanas, que se destaca pela originalidade e honestidade — ainda que deixe pontas soltas. Uma ótima leitura para quem gosta do gênero e um dos melhores livros de fantasia atuais.
Lados positivos
- Personagens complexos e imperfeitos que fogem dos arquétipos tradicionais da fantasia
- Narrativa envolvente e com múltiplos pontos de vista bem desenvolvidos
- Tom sarcástico e inteligente, especialmente nos capítulos de Glokta
- Estilo direto, sem exagero em descrições ou cenas gráficas
Lados negativos
- Uma das principais personagens femininas cai em um clichê comum de “mulher moderna demais para o próprio mundo”
- Pontas soltas e final pouco conclusivo, exige leitura da trilogia completa
- Pouca clareza no propósito da história, tanto no começo quanto no final








Sem sombra de dúvidas , esta trilogia é reconhecidamente um dos melhores trabalho do Abercrombie.
Vc começa a ler e não quer parar mais, uma delícia de leitura .
Eu recomendo muito.
Concordo. Deveria ter lido esse livro antes!
Essa trilogia não tem um final. Você termina o terceiro livro tendo uma infinidade de coisas sem conclusões. A própria história principal não é exatamente concluída.
Passei algum tempo pesquisando pra entender se era isso mesmo, ou existia um quarto livro.
Ver essa resenha deu uma nostalgia e uma vontade absurda de ler a trilogia novamente.
Essa saga está facilmente está no meu top 5 por N motivos. A forma como o Abercrombie conta a história sem focar nela mas sim na vida dos personagens é bem incomum mas é o charme da saga.
Não vejo a hora de tu ler os demais e contar aqui o que achasse do desenrolar de tudo, sinceramente, tu vai se surpreender.
No mais, obrigado por trazer essa resenha, foi bom relembrar um pouquinho da história.
Estou ansiosa também para ler o restante, só falta eu por as mãos nos próximos volumes!
Voce acha que eu poderia falar mais da história de cada personagem? Para relembrar mais da história em si?
Acredito que não precisa descrevê-los mais, ficou bom como está pois não explana demais e desperta curiosidade.
Da Ardee eu lembro pouco mas já do Logen eu lembro quase tudo, meu favorito né haha.
Quanto aos outros volumes, te agiliza, quero ver a continuação aqui. HAHAHA