Resenha do livro A Aprendiz

Resenha do livro A Aprendiz, 2º volume de A Trilogia do Mago Negro

O final do livro O Clã dos Magos nos deixou com muitas dúvidas. Inclusive, a pior delas: vale a pena ler A Aprendiz e continuar com a trilogia?

Eu também não sabia dizer antes de iniciar a leitura, mas agora você pode conferir uma resenha completa do que achei do enredo, dos personagens e do universo de A Aprendiz para te ajudar a decidir.


O livro A Aprendiz foi lançado originalmente em 2002, na Austrália. Ele é o segundo livro da saga A Trilogia do Mago Negro, que iniciou com o título O Clã dos Magos em 2001. No Brasil, o primeiro e o segundo volume chegaram em 2012, muito tempo depois.

Para entender melhor a continuação, é importante lembrar dos acontecimentos do primeiro volume de A Trilogia do Mago Negro. Se você já não lembra direito, confira todos os detalhes da história no Resumo de O Clã dos Magos, aqui do blog.

Se ainda não leu o primeiro livro e quer saber se vale a pena ler a saga sem spoilers, leia a Resenha de O Clã dos Magos.

Detalhes do livro

Capa do livro A Aprendiz, A Trilogia do Mago Negro 2
Título: A Aprendiz
Série: Trilogia do Mago Negro #2
Autor: Trudi Canavan
Páginas: 544
Editora: Novo Conceito
Lançamento original: 2002

Sinopse: ”Imardin é uma cidade de intrigas obscuras e políticos perigosos, onde aquelas que possuem a magia, possuem o poder. Uma jovem com dons mágicos extraordinários caiu de repente nesse sistema tradicional. Adotada pelo Clã dos Magos, sua vida mudou para sempre. Mas para pior ou para melhor?

Sonea sabia que enfrentaria um treinamento difícil no Clã dos Magos, porém o que ela não tinha percebido era o nível de aversão que enfrentaria de seus colegas aprendizes. Os filhos das famílias mais poderosas do reino pareciam estar determinados a vê-la falhar, não importa o que custasse. No entanto, ao aceitar a proteção do Lorde Supremo do Clã, Sonea pode ter traçado um destino obscuro e sem esperança, pois o Lorde Supremo guarda segredos mais escuros que sua túnica negra.”

Resenha de A Aprendiz

O Enredo

No segundo volume da Trilogia do Mago Negro, Sonea inicia a sua educação formal no Clã dos Magos. O desafio da personagem principal não é mais controlar e aceitar a sua magia, mas ganhar a aceitação e o respeito dos seus colegas e professores. Isso é especialmente difícil para ela, já que Sonea é a única aprendiz que nasceu nas favelas.

Além do drama do dia a dia da personagem principal, as dúvidas sobre o Lorde Supremo, já abertas no primeiro livro, continuam sem respostas. Todos que sabem sobre seu segredo, Sonea, Lorlen e Rothen, ficam com ainda mais medo sobre a capacidade de Akkarin com magia negra.

Dannyl também ganha uma grande participação como protagonista em A Aprendiz – apesar que, às vezes, eu só queria voltar para a parte de Sonea. Ele foi promovido a embaixador com um propósito bem claro: seguir os passos do Lorde Supremo e entender se o que ele buscava em suas viagens era realmente a magia proibida.

Apesar dos suspenses, a história se concentra mais nas diversas tentativas do antagonista, Regin, de humilhar Sonea. Às vezes o bullying irrita tanto que dá vontade de jogar o livro de lado. As ‘brincadeiras’ de Regin acontecem tantas vezes que nas últimas páginas eu já estava extremamente saturada de nada acontecer.

Eu já havia dito como o primeiro livro da saga, O Clã dos Magos, não me encantou e nem desencantou. Infelizmente, o problema para mim persiste nesse volume: A Aprendiz com certeza deixa a desejar em questão de enredo. São 600 páginas de acontecimentos repetitivos e que nada, de fato, acontece.

Os personagens

Personagens de A Aprendiz - por Perhone
Personagens de A Aprendiz – por Perhone

Em A Aprendiz, Sonea finalmente demonstra mais de suas qualidades e defeitos. Durante seu treinamento como maga, a personagem cresce como uma garota bondosa, determinada e esperta. Por causa de seus problemas com Regin, é notável como ela se fecha para as outras pessoas e evita qualquer confronto direto. Mas o melhor de tudo é ver seus poderes crescendo e sendo mais poderosos que até de muitos professores.

O relacionamento entre Sonea e Rothen cresce e fica ainda mais paternal. Já entre ela e seus tios o afastamento é mais complicado por causa do ódio que as pessoas tem dos magos. Cery também só aparece uma única vez e demonstra estar extremamente envolvido com os ladrões, abrindo espaço para Sonea conhecer outras pessoas (e lembrando-a da dívida eterna que ela causou à ele).

“Rothen fora seu captor e professor. Ele tinha provado que os magos – bem, a maioria deles – não eram os monstros cruéis e egoístas que os moradores das favelas acreditavam que fossem.”

Regin, o antagonista, também sofre do mesmo problema que o vilão do volume 1. Ele não parece ter grandes motivações para fazer o que faz com Sonia. É claro que ele se sente ameaçado pelo poder mágico dela ser maior que o dele, mas o motivo para por aí. Não vou descartar que isso talvez me incomoda porque eu eu não consigo aceitar a maldade pela simples maldade.

O Universo da trilogia

Nesse segundo volume temos mais explicações de como a sociedade dessa fantasia funciona, com todos seus preconceitos (que são muitos), raças, profissões e políticas. Diferente de em O Clã dos Magos, agora as raças são melhores explicadas até em sua fisionomia.

A homossexualidade, por exemplo, é bastante discutida e é vista de forma diferente em cada cidade – apesar de não ser aceita em nenhuma. Dá para ver que a autora pretende abordar vários assuntos polêmicos em cada um dos livros.

A magia, que antes foi apenas demonstrada como resultado final de uma energia que certas pessoas tem, agora é explicada em detalhe. O controle, a forma da magia acontecer (em parte) e até suas limitações são comentadas. Conhecemos seu funcionamento junto com Sonea, o que torna o aprendizado bem fácil e natural.

“ – O atributo mais importante de um mago é o conhecimento (…). Sem isso, sua força é inútil, não tem nada a resolver, nenhum talento a aperfeiçoar, apesar de suas melhores intenções.”

Também presenciamos a primeira batalha formal entre magos, que até foi bem descrito, com todas as suas táticas e regras. Bem diferente do que foi a luta de Sonea com os Magos, ou o dia da Purificação.

A capa do livro

Foto do livro A Aprendiz por Amor por Livros

Também me incomoda, apesar de eu achar muito bonita, as capas dessa coleção. Agora no segundo volume temos uma mulher adulta de túnica verde, como se já estivesse premeditando o futuro da personagem principal. (Pra quem não lembra, os magos de túnica verde são os da Cura).

Ela também está segurando um bastão, como se estivesse lutando. É engraçado porque magos lutam parados, sem nem mexer as mãos.

Minha conclusão sobre A Aprendiz

O livro tem um universo bem montado e pensado. É uma sociedade humana como todas as outras e possui muitos ‘defeitos como tal’. A magia também tem um foco bem interessante e é até bem explicada.

A história acontece um pouco mais rápido que no primeiro volume, porém a enrolação ainda me deixa com a sensação que essa trilogia poderia estar comprimida em um único volume.

Sonea também me incomodou bastante por não se defender em nenhum momento das agressões que sofria. Regin, o causador de tudo isso, é mais irritante ainda por não desistir nunca. A história toda é muito triste e dramática, sem muitas cenas de felicidade.

O que salva mesmo e me faz continuar com a trilogia é o mistério que envolve a Magia Negra. Ninguém sabe nada sobre ela, apenas que pode ser usada para conseguir energia de outras pessoas (algo muito útil para um mago, diga-se de passagem).

Minha nota final é um meio termo: 3 de 5.
No skoob, apenas para comparação, a nota média é de 4,3 de 5.

Quem sabe o próximo e último volume de A Trilogia do Mago Negro não fique mais interessante?

Livros do mesmo gênero

Capa do livro O Nome do Vento A Canção do Sangue - Capa do Livro de Anthony Ryan Capa do livro Eragon
O Nome do Vento
Saiba Mais
A Canção do Sangue
Saiba Mais
Eragon
Veja no Skoob